Os alunos do 7° ano deverão fazer um comentário expressando seu entendimento e opinião sobre o texto abaixo proposto pela professora de filosofia. Não esqueça de colocar seu nome, n° e turma no comentário para facilitar a avaliação e o fechamento da nota do bimestre.
Características da amizade
A amizade é uma relação de amor, de afeto, de tipo especial. Ela se desenvolve no tempo, a partir de encontros sucessivos que nos revelam novas perspectivas, novos caminhos, fazendo-nos compreender uma parte de nós mesmos e do mundo que nos rodeia. É um momento de autenticidade, de reconhecimento de identidade frente à diversidade do outro.
A amizade não envolve sofrimento. Os amigos sentem-se bem na companhia um do outro, sem ambivalência (amor e ódio). Não há lugar para mesquinharias, maledicências nem mal entendidos. Cada um ajuda o outro a descobrir, por si mesmo, aquilo que é essencial em sua vida, percorrendo juntos uma parte do caminho.
A amizade é um sentimento recíproco. Não é possível ser amigo de alguém que não seja, por sua vez, nosso amigo.
A amizade é uma relação descontínua. Podemos passar muito tempo sem ser um amigo, mas, quando o vemos, é uma alegria, um reencontro sem cobranças pelo tempo que passou. Podemos retomar as conversas, sem obstáculos, sem mal-estar, sem maiores explicações.
A amizade, também, não é exclusivista, ou seja, podemos ter vários amigos, sem que um roube nada do que damos ao outro. Não há concorrência entre amigos. Há reconhecimento do valor da individualidade única e inconfundível de cada um. Toda individualidade merece esse reconhecimento.
Na adolescência, entretanto, às vezes, a amizade é possessiva. Temos ciúmes do amigo que dá atenção a outra pessoa. Sentimo-nos roubados do tempo e do afeto que ele dedica a outrem.
É o momento de parar e rever essa amizade. Nosso ciúme é fruto do sentimento de posse, que está ligado ao nosso próprio bem e à nossa insegurança, ou é resultado do descaso do outro que já não valoriza a nossa relação e a individualidade como anteriormente? No primeiro caso, somos nós que não correspondemos à amizade e desejamos amputar as possibilidades de descoberta, de afeto, de encontro do outro. No segundo caso, é o outro que não se comporta como amigo, que se desinteressa da relação e que nos desilude com a falta de reciprocidade. Seja por uma razão ou por outra, a amizade está em crise e é necessário discuti-la, resolver os mal-entendidos para que um novo encontro seja possível, ou que os caminhos se separem.
A amizade é, na sua essência, uma relação entre dois indivíduos isolados, donos de si mesmos e iguais, tanto em termos de poder quanto em termos de dignidade. Não é possível haver amizade quando há desequilíbrio de poder, ou seja, quando há dominação. Também não há amizade quando falta dignidade a qualquer uma das partes.
Talvez não seja muito fácil encontrar verdadeiros amigos. Mas, quando os temos, vale a pena cultivar sua amizade, que pode vir a durar a vida inteira.